HOMO LUDDENS

GUIMARÃES ROSA

Posted in literatura by ! on julho 15, 2009

rosa

João Guimarães Rosa [1908 / 1967]

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DOSTOIÉVSKI

Posted in literatura, Russia by ! on julho 14, 2009

Dostoevskij_1872

Fiódor Dostoiévski [1821 / 1881]

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CINCO POEMAS CONCRETOS

Posted in concretismo, literatura by ! on novembro 17, 2008

[CINCO POEMAS CONCRETOS, de Christian Caselli (2007)]

Mais uma dica, desta vez do amigo duTOMpoético.

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EITA PORRA

Posted in literatura, Uncategorized by ! on outubro 19, 2008

[EITA PORRA, Ano 2, número 3, 4 páginas.] 

AMNÉSIA


Vou contar pra vocês a lenda do povo Tucuruxú
do terrível jovem guerreiro Tucuruxú
que de tanto contar histórias, esqueceu a sua própria

Era pequeno, o terrível jovem guerreiro Tucuruxú
mas cada um de seus longos fios de cabelo
borbulhava de histórias alheias, lindas e alheias

Na oca do terrível jovem guerreiro Tucuruxú
os meninos da tribo se juntavam para ouvir aquela voz firme,
imperiosa, daquele que, com muito respeito de todos, era chamado de:
“terrível jovem guerreiro Tucuruxú”

Conta ele que há muito tempo atrás
Antes mesmo da era do Jaguar, quiçá do Pasquim
Em tempos ruins um homem saíra pra caçar tatu
E, seguindo o rastro dos urubus, conseguiu achar um tamanduá…

E proseou com o bicho gordo:
– Tamanduá serve pra comê!
-Tucuruxú só serve pra pescá!
-Então te pesco, tatu!
-Não sou tatu, sou tamanduá…

Diante da resposta, o homem se viu derrotado e, triste,
voltou à tribo Tucuruxú

Anunciou o fim da história diante dos olhos atentos
dos meninos que ouviam
Até que um pequerrucho meninote Tucuruxú interveio

– Terrível jovem guerreiro Tucuruxú,
qual nome te deu Tupã?
– Não deu nome, piá.
– E as suas caçadas, guerreiro, as histórias?
– Não tenho, menino, não posso contá.

E o menino, virado em tamanduá, mais uma vez não foi pescado.
Morreu triste, duro e seco, enquanto o jovem guerreiro Tucuruxú
chamou de menino o Tamanduá…

[AMNÉSIA, de Carlos Eduardo Marconi. Cadu; Em EITA PORRA, Ano 1. Número 2, Niterói: 2003.]

EITA PORRA seria a minha primeira e única experiência com zines e afins. Foram apenas três números entre os anos de 2003 e 2004; sendo distribuído principalmente entre os alunos do curso de história da Universidade Federal Fluminense. Apesar da sua curta duração, considero a iniciativa do zine importante, pois não só revelou talentos antes desconhecidos, como nos propiciou uma experiência de trabalho em grupo. O destaque maior, sem dúvida, foram os poemas e contos do amigo Cadu Marconi.

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ALMANAQUE ARMORIAL

Posted in literatura, Uncategorized by ! on outubro 10, 2008

Neste romance se vê
luta, batalha e terror;
força, coragem e vingança,
bravura, honra e critério,
ódio, triunfo e amor.

No mesmo assunto eu descrevo
uma história verdadeira,
falando sobre o barão
pai de uma filha solteira,
conhecido ali, nas zonas,
pelo “terror da ribeira”.

Motivado por um comentário feito no Balaio há algumas semanas, adquiri por estes dias o livro “ALMANAQUE ARMORIAL“, de Ariano Suassuna. Trata-se da reunião de alguns de seus ensaios, escritos entre a década de 60 e o ano 2000. A organização e seleção é de Carlos Newton Júnior, que procurou prezar pela variedade, incluindo, desse modo, os textos do autor sobre teatro, cinema, artes plásticas, estética, língua portuguesa etc., sem esquecer a ” indispensável categoria dos “casos inventados”. Um segundo critério buscou priorizar aqueles ensaios que versassem sobre assuntos ligados ao universo maior da cultura brasileira.

Quanto ao título, diz Carlos Newton, que esse faz alusão, “em primeiro lugar, aos “almanaques” sertanejos que Ariano conheceu já na infância , passada no sertão da Paraíba, publicações em que os conhecimentos tradicionalmente vinculados à sabedoria popular eram apresentados sob forma pretensamente científica, espécies de súmulas do conhecimento universal motivadas por um pletórico e irrefreável desejo enciclopédico de abarcar os enigmas do mundo. Quanto ao adjetivo que o compõe, remete-nos ao Movimento Armorial, lançado no Recife, a 18 de outubro de 1970. Idealizado por Suassuna com o objetivo de criar uma arte erudita brasileira a partir das raízes populares da nossa cultura.”

Eu pouco sei sobre o Movimento Armorial, Ariano Suassuna e afins. Desconheço as polêmicas que envolvem o seu nome. Mas mantenho um interesse muito sincero e vivo pelas coisas do Sertão. Talvez pela minha condição de faminto terceiro mundista, ou mesmo, por ser um migrante na metrópole. Não foram poucas as vezes que evoquei Fabiano. Em outros momentos optei pela imagem de um Hércules-Quasímodo, ao gosto de Euclides da Cunha. E, recentemente, fui envolvido pela prosa de Antônio Torres.

Dado o meu interesse, afirmo que tem sido muito proveitosa a leitura que faço dos ensaios de Suassuna. Vez ou outra surpreende-me as suas afirmações sobre determinados livros ou autores, mas não vem ao caso citá-los nesse momento. Se resolvi escrever sobre o livro aqui foi para indicar a leitura de um dos ensaios, intitulado “Encantação de Guimarães Rosa”, de 1967.

No ensaio mencionado, Ariano Suassuna procura situar a grande obra prima que é “Grande Sertão: veredas” no universo mais amplo da literatura brasileira. Diz o autor que, “longe de ser um acidente ocasional em nossa Literatura, João Guimarães Rosa é um escritor profundamente brasileiro, que somente no Brasil poderia ter feito o que fez.” Segue assim suas comparações, citando estilos, autores e livros que, ao ver de Suassuna, são imprenscidíveis para uma melhor compreensão crítica de Grande Sertão. 

Para Ariano, Rosa é o típico escritor do barroco brasileiro, pertencente à mesma linhagem de Euclides da Cunha. Enquanto o último faz parte “da linhagem ibérica e épica das novelas de cavalaria” aproximando-se muito mais “do estilo afortalezado e castanho das capelas do barroco sertanejo e da “civilização do couro””; o primeiro, é “descendente da Demanda do Santo Graal ou da Donzela que vai à guerra” completando assim o “ciclo de ouro” das Minas Gerais, “entrando numa comunhão harmoniosa com as igrejas ou a música mineira do século XVIII.” Segundo o autor, o sertão mineiro é mais parecido com a Zona da Mata do que com “o verdadeiro sertão nordestino”. A paisaigem do Grande Sertão é muito mais cheia de árvores, bosques e rios do que o deserto pedregoso e áspero de um Cariri, Moxotó e Pajeú.

Eu nada sei, mas desconfio de muita coisa. Confesso que por alguns momentos acreditei que a reverência prestada pelo autor ao Grande Sertão pudesse ser abalada. Sendo a obra de Guimarães Rosa, segundo Ariano, mais próxima da “civilização do açúcar” do que a “civilização do couro”, temi que todas essas comparações pudessem desembocar na oposição entre sertanejo forte e o mestiço neurastêmico do litoral. Não foi esse o caso. Para o escritor pernambucano Grande Sertão é “obra requintada, profunda de significado; perfeita”. Elevou a literatura brasileira à “plena confirmação de sua grandeza.”

Como diz Suassuna, resta lembrar que, sendo tantas coisas, ainda é ele, uma cantiga de cangaceiros, um romance de cordel. Muitas das estórias contadas por Riobaldo fazem parte do repertório do romanceiro popular nordestino. É o caso, por exemplo, do romance de origem ibérica, a “Donzela que vai à Guerra” que, segundo Suassuna, ainda na época que escreveu o ensaio, era cantado no Sertão. 

Não me incomoda a maneira com que Suassuna conduz o seu ensaio, procurando promover o diálogo de Guimarães Rosa com outros autores. O fato dele estar “profundamente inserto na tradição da literatura brasileira, não diminui a novidade nem o gênio do autor.” Pelo contrário, acredito que possíveis aproximações somente despertam o meu desejo de conhecer ainda mais o Grande Sertão: veredas.

[SUASSUNA, Ariano. Almanaque Armorial/Ariano Suassuna; seleção, organização e prefácio Carlos Newton Júnior. – Rio de Janeiro: José Olympio, 2008.] 

 

GRANDE SERTÃO: VEREDAS

Posted in literatura by ! on outubro 1, 2008

 

[RIOBALDO, de Douglas Thomaz]

 

 

GRANDE SERTÃO: VEREDAS

(“O diabo na rua, no meio do redemoinho…”)

SENSACIONAL. ESTRANHO. PODEROSO.

 

Sendo um amor o impossível. Onde narra a sua vida o ex-jagunço Riobaldo. O sertão está em toda parte. Dois meninos atravessam o São Francisco numa canoa. A forca particular. O escrito que veio da matriz Itacambira. Nhorinhá, a linda, rapariga perdida no ser do sertão. Os cavalos na madrugada. Diadorim e Otacília. Seja ciúme, amor, ódio e sangues. A carne do homem que não era macaco. Na Guararavacã do Guaicuí do nunca mais. Carece de ter coragem. Carece de ter muita coragem. Rosa’uarda, moça turca. Um homem desceu o rio Paracatú, numa balsa de burití. À meia-noite, nas Veredas Mortas. O que apareceu montado na égua. O leproso trepado na árvore. Seis chefes jagunços põem outro em julgamento, na Fazenda Sempre-Verde. Episódio de Maria Mutema e do Padre Ponte. A matança dos cavalos. De como Indalécio e Antônio Dó invadem a cidade de São Francisco. A canção de Siruíz. O sofrer de dois amores. Morte de Medeiro Vaz – o rei das Gerais. O Sertão é dentro da gente. A mulher presa no sobrado. Nos campos de Tamanduá-tão: foi grande batalha.   

 

Nota: Aos leitores, e aos que escreverem sobre este livro, pede-se não revelar a sequência de seu enredo, a fim de não privarem os demais do prazer de descoberta do GRANDE SERTÃO: VEREDAS.     

 

 

[Nota inteiramente redigida por João Guimarães Rosa para anunciar Grande Sertão na orelha de um dos seus livros]

CIDADE

Posted in artes plásticas, literatura by ! on agosto 31, 2008

CIDADE, de Douglas Thomaz.  

“José Arcadio Buendia, que era o homem mais empreendedor que se poderia ver na aldeia, determinara de tal modo a posição das casas que a partir de cada uma se podia chegar ao rio e se abastecer de água com o mesmo esforço; e traçara as ruas com tanta habilidade que nenhuma casa recebia mais sol que a outra na hora do calor. Dentro de poucos anos, Macondo se tornou uma aldeia mais organizada e laboriosa que qualquer das conhecidas até então pelos seus 300 habitantes. Era na verdade uma aldeia feliz, onde ninguém tinha mais de trinta anos e onde ninguém ainda havia morrido.” 

[Gabriel Garcia Márquez, Cem anos de solidão.]

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GUIMARÃES ROSA

Posted in literatura, Sertão, Uncategorized by ! on agosto 30, 2008

Capa de Poty.

“As ancas balançam, e as vagas de dorsos, das vacas e touros, batendo com as caudas, mugindo no meio, na massa embolada, com atritos de couros, estralos de guampas, estrondos e baques, e o berro queixoso do gado junqueira, de chifres imensos, com muita tristeza, saudade dos campos, querência dos pastos de lá do sertão…”

[ROSA, João Guimarães. In: Sagarana; “O burrinho pedrês”, José Olympio Editora, 1964.]

O INSPETOR GERAL

Posted in literatura, Russia, teatro, Uncategorized by ! on agosto 29, 2008

O Inspetor Geral (2003 – 2007), do excelente grupo mineiro Galpão. 

Texto: Nicolai Gógol; Direção: Paulo José